Frágil coração,
esfomeado coração.
Quando sente, queima.
Incendeia-te, incandescente,
pulveriza
e, para não ferir,
volta-se contra si mesmo.
Assusta-te a ideia
de queimar aquilo que amas.
A vergonha me consome,
me envenena,
me preenche por completo.
O exagero de tuas reações me espanta,
o excesso me apavora.
E só penso:
"o que vão achar
de tamanha imposição?"
Pena, talvez.
Ou medo.
Coração,
o que devemos fazer?
Sentir dói.
Essa fome dói.
O abismo que te compõe
clama por algo
que sabes ser impossível preencher.
Talvez
devamos
morrer de fome.
Lentamente,
dolorosamente
uma autofagia
não tão piedosa.
Talvez só assim
Eu pare de ter
vergonha de ti.
— R.A